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Terapia com cavalo ajuda crianças com deficiência em Formosa

João Gabriel tem 9 anos. Ele está dentro do Transtorno do Espectro Autista, caracterizada pelos desafios com habilidades sociais, comportamentos repetitivos, fala e comunicação não-verbal, bem como por forças e diferenças únicas. Há dois anos ele participa de um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo, buscando o desenvolvimento biopsicossocial das pessoas com deficiência. Isso o ajudou a obter avanços como melhora na interação social, linguagem, atenção, raciocínio, e, principalmente, na auto-estima e independência.

“O trabalho da equoterapia reflete também nas atividades de vida diária. O João passou a ter mais autonomia e aliado a outras terapias já consegue tomar banho sozinho, vestir-se, preparar lanches simples, colocar sua comida no prato. Na escola está mais tranquilo e concentrado na execução das atividades propostas, consegue ser mais tolerante a frustrações e persistente na execução de atividades”, conforme conta sua mãe, Paula de Faria Sousa.

João Gabriel é um dos 17 praticantes que participam do projeto Anjos de Patas, que surgiu há dois anos, realizado no Rancho Nossa Senhora, em Formosa. A equipe é multiprofissional composta por veterinário, psicóloga, fisioterapeuta, pedagogos, fonoaudiólogos, educador físico e assistente social. Todos são voluntários e o projeto não recebe ajuda governamental, apenas alguns pais colaboram com valores simbólicos para ajudar na ração e feno para o cavalo.

São destinados 3 animais para a realização do projeto. Cada animal consome em média 4 sacos de ração por mês, além de vacinação e vermífugos, por isso, os responsáveis pelo projeto esperam que a população de Formosa possa contribuir mais efetivamente com a realização da equoterapia. Existe uma lista de espera de mais de 100 pessoas interessadas em participar, mas por conta das limitações financeiras, o projeto não consegue ampliar o atendimento.

Do ponto de vista psicológico, os profissionais acreditam que a equoterapia proporciona o empoderamento dos praticantes. “Imagine um cadeirante que sempre vê o mundo debaixo para cima, a gente fica em posição de superioridade em relação a ele. Mas quando está em cima do cavalo a situação se inverte. O praticante se sente empoderado, amplia-se o horizonte e ele começa a ver o mundo de cima para baixo. É muito bonita a primeira sessão de equoterapia quando o praticante monta no cavalo pela primeira vez, e ele fica lá no alto, sorrindo. O cavalo traz a sensação de bem-estar porque movimenta os músculos do corpo. Acredito muito que quem conduz as rédeas de um cavalo adquiri forças para conduzir a própria vida”, explica a psicóloga Jôzi Alvarenga.

Conhecer a Associação proporcionou mais sociabilidade para Neli Rodrigues, mãe do Rafael (foto), além de ver seu filho melhorar na auto-estima e segurança. Ao ter contato com outras mães com filhos com o mesmo diagnóstico, Neli passou a frequentar as ações de interação e fortalecimento de vínculos. Já seu filho, que possui Paralisia Cerebral, melhorou auto-estima, ficou mais tranquilo, mais atento nas aulas escolares, parou de babar e já consegue sentar sozinho sem medo.

A sensibilidade do Cavalo

Os cavalos são escolhidos para a terapia por serem muito sensíveis, sendo capaz de perceber as emoções, além de ser extremamente dóceis. Para serem utilizados na equoterapia, os animais são preparados para trabalhar com o praticante. A psicóloga explica que o movimento do cavalo simula o útero materno, por isso, inconscientemente, dá a sensação inconsciente de embalo e proteção.

O veterinário Ariel Lobo de Oliveira, um dos responsáveis pelo projeto, explica que a maior característica do cavalo é sua sensibilidade e que é muito forte a relação entre o animal e o cavaleiro. “O animal sente tudo! Se você chegar perto, ele sabe se você é um agressor ou um companheiro. Ele tem uma memória genética, o que você fizer a ele, ele vai levar pro resto da vida”, conta.

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